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Ministério Diaconal

O Ministério do Diácono. O Diaconato

“Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” 1Tm 3.13
 
Por que existe o ministério do diácono?

Qual a sua função e importância na vida da Congregação?

Para responder as perguntas elaboradas acima, deve-se partir do sexto capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos, pois ali, pela primeira vez, foi constituído um ministério específico de caráter social para resolver uma variante problemática de aspecto étnico: entre as viúvas de fala hebraica e as de fala grega. Tal problema poderia atravancar o avanço da igreja local que estava em Jerusalém. Os apóstolos sentiram-se cobrados em solucionar um problema não muito fácil, entretanto, os ministérios da Palavra e da Oração não poderiam ficar em segundo plano. Mas igualmente, a sobrevivência humana.

 

Orientados pelo Espírito Santo, e também dotados por um profundo bom senso, juntamente com a congregação, os apóstolos não hesitaram em tomar a decisão de separar sete homens judeus de fala grega – Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau – para resolverem uma questão de caráter social e urgente. Assim, a congregação de Jerusalém voltou a normalidade da sua atividade coadunando a prática proclamatória do Evangelho com o serviço de interferir socialmente na vida dos crentes, e não-crentes também, para suprir a necessidade de quem precisava de ajuda. Por isso, o caráter do ministério diaconal é profunda e biblicamente enraizado numa intensa preocupação social. O diácono de Atos não foi chamado para fazer trabalhos meramente litúrgicos, (como colher dízimos e ofertas e servir a Santa Ceia), mas principalmente a cuidar dos mais necessitados, visitar as viúvas e os enfermos, amparando quem realmente precisa de cuidados na comunidade cristã local.
Por conseguinte, o serviço de diácono não é simplesmente uma função eclesiástica, mas um estilo de vida ensinado e promovido por Jesus de Nazaré. Quando um crente olha para o verdadeiro diácono ele deve sentir-se impulsionado para viver um estilo de vida diaconal, como o de Cristo em seu ministério terreno. Pois o diaconato é um estilo de vida centralizado em Jesus de Nazaré, jamais em si mesmo.

Embora o diaconato seja um ministério específico, a diaconia é uma missão de todo o crente.

Diaconia significa “ministério, serviço”. Jesus Cristo foi exemplo para todos e em todos os aspectos. Em sua Diaconia, Ele foi “apóstolo… da nossa confissão” (Hb 13.1). Foi profeta (Lc 24.19); foi evangelista (Lc 4.18-19); foi Pastor (Jo 10.11) e também foi diácono. Ele demonstrou seu caráter e sua personalidade, dando exemplo de humildade. Para cumprir sua missão sacrificial em favor dos homens, Jesus despojou-se temporariamente de sua glória plena (Jo 17.14). Paulo diz que Ele assumiu a forma de servo, mais que isso, a forma de “escravo”. Jesus, “… sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8 — grifo nosso). A expressão “tomando a forma de servo”, “significa aparecer em uma condição humilde e desprezível”. [1]

A diaconia outra coisa não é senão um serviço incondicional e amoroso a Deus e à congregaçãoO diácono que não vive para servir a igreja de Deus, não serve para viver como ministro de Cristo.
 
A INSTITUIÇÃO DO DIACONATO
Como já comentado, o diácono é o único ministério cristão a originar-se de um fato social; surgiu de uma premente necessidade da congregação Primitiva: o socorro às viúvas helenistas. Atenhamo-nos no que diz o texto que escreveu Lucas (Atos 6.1-7). Do texto sagrado, apontemos algumas das razões que levaram os apóstolos a instituírem o diaconato:
 
a) O crescimento 
Do Pentecostes à instituição do diaconato, a congregação Primitiva cresceu de três mil convertidos, a cinco mil; a partir daí, o rebanho do Senhor não mais parou de multiplicar-se (At 2.41; 4.4). De forma que, em atos capítulo seis, o número de discípulos já havia superado a capacidade estrutural da congregação (At 6.1). Crescendo o número de fiéis, cresceram também os problemas. Tivesse a congregação se limitado aos cento e vinte, certamente nenhuma dificuldade teriam os primitivos cristãos. Não haveriam de precisar de diáconos, nem de pastores, e até os mesmos apóstolos seriam prescindíveis. Acontece que as grandes congregações enfrentam grandes desafios, e demandam, por conseguinte, grandes soluções. Com a chegada das ovelhas, vai o aprisco deixando sua rotina, vai o pastoreio desdobrando-se em cuidados e desvelos pelas almas, e o Reino de Deus vai alargando suas fronteiras e descortinando os mais promissores horizontes.

b) O descontentamento social
Relata-nos Lucas que “houve uma murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas daqueles estavam sendo esquecidas na distribuição diária”. Tal contingência não podia esperar; exigia imediata solução. Caso não houvesse uma alternativa urgente e satisfatória, a situação deteriorar-se-ia, agravando a injustiça social, e aprofundando a fissura entre os dois principais segmentos culturais da congregação em Jerusalém: os hebreus e os helenistas.
A situação que se desdenhava deixou os apóstolos mui preocupados. Como israelitas, sabiam eles que a injustiça e a desigualdade social eram intoleráveis aos olhos de Deus (Dt 15.7,11).
 
c) O comprometimento do ministério apostólico
Continuassem os apóstolos a suprir as necessidades dos órfãos e das viúvas, haveriam de comprometer de forma irremediável as principais funções de seu ministério (At 6.2-4). Por isso deliberaram: “Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputaçãocheios do Espírito Santode sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.2-4). Como seria maravilhoso se os pastores seguissem o exemplo dos apóstolos! Infelizmente, não são poucos os que se acham de tal forma empenhados com os negócios materiais do rebanho, que já não têm tempo de orar, nem mais ligam importância à exposição da Palavra. Transformaram-se em meros executivos. Vivem mais preocupados com os rendimentos financeiros do redil do que com o bem-estar das ovelhas. Será que ainda não perceberam ter sido o diaconato instituído justamente para que os pastores nos entregassem amorosamente à oração e à proclamação dos conselhos de Deus? Queira o Senhor que, no termino de nosso ministério, possamos dizer como o apostolo Paulo: “Porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27).

d) A organização ministerial da congregação
Até a instituição dos diáconos, a Igreja conhecia apenas o ministerial apostólico. Eram os apóstolos responsáveis inclusive pelo socorro cotidiano. E isto, como vimos, por pouco não compromete o desempenho do principal magistério da congregação. Com a instituição dos diáconos, porém, formou-se a base do ministério eclesiástico. Levemos em conta também os anciãos; estavam eles sempre prontos a secundar os apóstolos. Mais tarde, o termo ancião (ou presbítero) passaria a ser sinônimo de pastor e bispo. Desde então, apesar das várias formas de governo eclesiásticos, a congregação vem funcionando a contendo, cumprindo suas varias tarefas, tendo como base o modelo de Atos dos Apóstolos.[2]
 
A ESCOLHA DOS DIÁCONOS
O diaconato como ministério
Ministério é um trabalho, ou função eclesiástica, exercida por aqueles que são biblicamente ordenados. Da leitura de Atos 6.6, concluímos: os diáconos são também ministros. Apontemos algumas razões que nos arguem serem os diáconos integrantes do ministério cristão:

a) A instituição do diaconato foi inspirada pelo Espírito Santo
Assim como os apóstolos haviam sido chamados para auxiliar a Jesus, foram os diáconos separados para assistir aos apóstolos e pastores. Não se admite, pois, que os diáconos façam oposição ao pastor; foram eles chamados justamente para ajudar o anjo da igreja (At 6).

b) A instituição do diaconato foi eclesiasticamente acordada
Contou com o apoio de toda a congregação de Jerusalém que, em seu nascedouro, representava toda a assembléia dos santos. E, de conformidade com as instruções do próprio Cristo (Mt 18.9). Logo, o diaconato surgiu com o pleno apoio da Igreja de Cristo.

c) Os diáconos foram formalmente ordenados
Não foram os sete separados em segredo, mas consagrados ante a congregação. Contaram eles, consequentemente, com o apoio tanto de toda a congregação quanto do magistério apostólico.

d) Os diáconos receberam formalmente a imposição de mãos
Ai está a prova cabal de seu ministério. À semelhança dos apóstolos Barnabé e Saulo, foram os diáconos santificados ao ministério através desse ato tão significativo: “orando, lhes impuseram as mãos” (At 6.6; 13.1-3). Se não são ministros os diáconos, porque a oração e a imposição de mãos?

e) A real dimensão do diaconato
Convém ao diácono entender que, embora ministro, jamais deve ignorar a autoridade que tem o pastor sobre todos os ministérios, órgãos e departamentos da congregação. Que ele reconheça sempre a verdadeira dimensão de seu cargo e a exata razão de sua chamada, e coloque-se à inteira disposição de seu pastor. Seja amigo e companheiro deste. Cabe aqui lembrar o que disse Otis Bardwell, experimentadíssimo diácono: “O diácono não foi chamado para receber honrarias, mas para servir a Deus e à congregação”.

O diaconato como um importante negócio
Na versão Revista e Corrigida de Almeida, lemos: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões (…) aos quais constituamos sobre este importante negócio” (At 6.3). A versão atualizada, porém, buscando maior aproximação com o grego, usa a seguinte expressão: “aos quais encarreguemos deste serviço”. É o diaconato, afinal, um serviço ou um importante negócio?  Ambas as coisas, pois estão certas ambas as versões. A palavra grega chréia tanto pode ser traduzida como serviço quanto como negócio. Ela pode ser compreendida, ainda, como “um serviço para suprir auxilio em caso de necessidade”. Portanto, nenhum erro cometeu os revisores dessas versões. Servir a congregação, a Noiva do Cordeiro, é de fato um importante negócio! Pense nisso, diácono, e conscientize-se de sua responsabilidade. 
 
AS QUALIFICAÇÕES DO DIÁCONO
As qualificações diaconais são os requisitos imprescindíveis que tornam o obreiro cristão apto a exercer o ministério de socorro aos necessitados e de serviço aos santos. Tais qualificações acham-se compreendidas em Atos 6.3 e na primeira Epístola de Paulo a Timóteo 3.8-13. Em ambas as passagens, há um elenco de virtudes e requisitos, que só encontraremos em homens de valor. Por que tais qualificações fazem-se tão necessárias?
A resposta é obvia. Diferentemente do escravo do A.T, de quem era requerida apenas uma cega subserviência, o diácono do N.T viria a ocupar um lugar de honrado destaque na congregação de Cristo. Não seria ele um servo comum; erguer-se-ia como ministro. Eis a seguir os requisitos exigidos:
 
1. De boa reputação
 
2. Cheios do Espírito Santo
 
3. Cheio de sabedoria
 
4. Sejam honestos
 
5. Não de língua dobre
 
6. Não dados a muito vinho
 
7. Não cobiçosos de torpe ganância
 
9. Os diáconos sejam maridos de uma mulher
 
10. Governem bem seus filhos
 
11. Governem bem suas próprias casas

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